Os manuscritos mais antigos datam do fim do ano de 1842, início de 1843, quando se instalou a primeira Loja em Pelotas denominada "Protetora da Orphandade" e que em 1848 começou a edificar um prédio para seu Templo, à rua doutor Flores, hoje Andrade Neves, onde funcionou as oficinas da Livraria Comercial, o qual ficou terminado em 1849.

     Em 7 de dezembro de 1847 os senhores Nicolao Marcellino Thoulé, Custódio Manoel d'Oliveira, Joaquim Antônio de Carvalho Amarante, Telemaco Bouliech, Pio Evaristo Mursa Coelho, Manoel Dias Teixeira, Antônio Joaquim Gomes e José de Souza Cabral e Almeida fundaram uma segunda Loja Maçônica denominada "Commercio e Industria" e erigiram um Templo à rua dos Coqueiros, hoje Gonçalves Chaves, onde é hoje a "Capella do Asyllo de Órphäs".

        Devido a precária situação financeira de ambas as Lojas estas se fundiram em 3 de fevereiro de 1853 tomando a denominação de "União e Concordia" funcionando no prédio da "Commercio e Industria" à rua Gonçalves Chaves.

        O prédio da "Protetora da Orphandade" foi vendido para pagamento de dívidas, tendo nele se estabelecido a extinta casa de ferragens de José Lopes da Conceição.

        Com a fusão das duas Lojas um velho sonho pode tornar-se realidade, o da criação de um asilo de órfãos, o que foi conseguido em 7 de setembro de 1855 sob o título de "Asylo de Órfãos desvalidas Nossa Senhora da Conceição" lembrado pela Exma. senhora dona Conceição de Mendonça Moreira com assistência da Câmara Municipal, autoridades civis e grande concurso do povo.

        Em 25 de agosto de 1855 por proposta do maçom Frederico Gregório Ugarteche, instalou-se a Loja "Honra e Humanidade" que teve como sua primeira diretoria os maçons: Domingos José d'Almeida, Frederico Uharteche, Joäo Cirer, Francisco Jeronymo Coelho e Telemaco Bouliech. Os membros da nova Loja faziam parte, quase todos, da Loja "União e Concórdia" que desde então deixou de existir.

        A Loja "Honra e Humanidade" edificou seu magnífico Templo à rua Andrade Neves 2202, no centro de Pelotas, onde funciona hoje a Loja Fraternidade.

        A Loja "Honra e Humanidade" tem em sua história páginas de ouro e dela foi obreiro infatigável o ilustre maçom José da Silveira Villalobos que, quando prestes a ir a leilão o prédio da atual Faculdade de Direito, salvou-o juntando a quantia necessária ao pagamento das dívidas.

   Em 13 de março de 1871 fundou-se a Loja "Artistas", tendo esta Loja uma vida muito agitada e em 14 de novembro de 1881 uma parte de seus integrantes fundou a Loja "Rio Branco" e a outra parte dissolveu-se.

    "Fraternidade e Honra" foi o nome de outra Loja Maçônica fundada nesta cidade em 16 de novembro de 1873. Teve sua primeira diretoria os maçons Ernesto Augusto Gernsgross, Joaquim da Fonseca Moreira, Diogo Ricardo Higgins, Luís Braga Júnior e João Pinto Bandeira. Muito se esforçou esta Loja pela abolição da escravatura, e por ocasião da visita a esta cidade do Grão-Mestre da Maçonaria brasileira doutor Joaquim Saldanha Marinho, deu liberdade em sessão festiva e com assistência do público, a duas meninas es cravas como homenagem ao grande patriota.

        A primeira diretoria da Loja "Rio Branco" teve como diretoria inicial os seguintes maçons: Francisco Netto de Moraes, Antônio Xavier de Oliveira, João Mendes da Costa Guimarães, Colimerio Leite e Manoel de Souza Castro. Foi um destaque dessa Loja o maçom João da Silva Silveira.

        Dirigindo-a com alto critério e eficácia, conseguiu dar-lhe lugar de destaque entre suas congêneres do Brasil. Seu trabalho garantiu também a existência de bens granjeados e constituído por prédios e dinheiro, o que tornou esta Loja muito bem favorecida e em melhores condições de subsistência do que qualquer outra do Estado. Esta Oficina é uma das que mais tem produzido um trabalho maçônico e, na manifestação exterior de sua atividade, destaca-se a criação do Colégio Pelotense.

        Em 24 de outubro de 1902 foi fundado o "Gimnasio Pelotense" sendo designado para dirigi-lo os ilustres irmãos doutor Francisco José Rodrigues Araújo, Venerável Mestre da Loja "Rio Branco", Silvestre da Fontoura Galvão, Venerável Mestre da Loja "Lealdade" e doutor Carlos Ferreira Ramos Venerável Mestre da Loja "Antunes Ribas".

As palavras do primeiro relatório, apresentado pela diretoria são:

  • "... O Grão-Mestre da Maçonaria Riograndense, desembargador doutor Antônio Antunes Ribas, querendo encaminhar os trabalhos da secular instituição para um terreno prático, aconselhou as oficinas de sua jurisdição a fundarem escolas, onde, pelo ensino leigo, ficasse assegurada a liberdade de consciência das crianças, de modo a prepararem-se futuros cidadãos aptos para viverem em uma democracia, da qual deveriam ser bons auxiliares, e não pela sua educação estreita e fanática, elementos perturbadores da ordem e do progresso." …

  • "Com aplausos foi aceita a fundação de um Ginásio, para cuja realização as Lojas lançariam um empréstimo no valor de cem contos ou mais, se possível." ... "Em seguida os Veneráveis da Lojas de Pelotas ali reunidos nomearam para a instalação do colégio, uma numerosa comissão, salvo alguma omissão, dos irmãos doutor Carlos Ramos, Silvestre Galvão, Emílio Laquintinie, Fernando Röhnelt, João J. César, Antônio Ferreira Soares e doutor César Dias."
    ... "Em 2 de fevereiro de 1903 se abriam as aulas do Ginásio Pelotense provisoriamente instalado no palacete Itapitocay", localizado a rua Miguel Barcellos, 8".

        Foi feita a compra do sobrado da Rua Felix da Cunha esquina Tiradentes pela Loja "Rio Branco" e pela Loja "Antunes Ribas" da família Ribas e em 20 de setembro de 1903 o Ginásio mudava-se para o novo edifício realizando-se as obras diversas necessárias para o funcionamento.

        Após diversas dificuldades e dispendioso trabalho em 8 de janeiro de 1906 o decreto de equiparação do Ginásio ao Colégio Pedro II., é levado a sanção do presidente da República, pelo respectivo ministro e pelo esforço do senhor José Inácio do Amaral junto ao deputado rio-grandense doutor Pedro Moacyr.

        Anexas ao Ginásio Pelotense foram fundadas as escolas de "Pharmácia e Odontologia", ideias aventadas pelo irmãos Silvestre da Fontoura Galvão e pelo doutor Manoel Serafim Gomes de Freitas.

        Existiu ainda e fundada em 12 de outubro de 1912, uma faculdade de Direito, que chegou a formar quatro turmas de bacharéis, cuja paternidade cabe ao nosso ilustre irmão doutor Alípio Telles de Carvalho, também ex-Venerável Mestre da Loja "Rio Branco".

        Em todos estes empreendimentos foram figuras de alto relevo os Drs. Francisco José Rodrigues de Araújo, Pedro Luís Osório, Manoel Seraphim Gomes de Freitas, Manoel Luiz Osório e outros tantos maçons ilustres.

        Desde 1914, a Maçonaria Riograndense entregou a administração deste estabelecimento ao Governo Municipal, que tem sabido manter os destinos desde educandário, elevando-o seu conceito cada vez mais, sendo este motivo de orgulho para Pelotas.

        Em sessão de 15 de julho de 1915, tem lugar a fusão das Lojas Maçônicas "Honra e Humanidade" e "Rio Branco" desta cidade e "Lealdade" do Capão do Leão. Assinaram o acordo de fusão o doutor Manoel Seraphim Gomes de Freitas como Venerável da Loja "Rio Branco" e o senhor Alexandre Gastaud como Venerável da "Honra e Humanidade" e da "Lealdade". A nova Loja tomou a denominação de "Lojas Unidas Honra e Humanidade, Rio Branco e Lealdade". Formaram sua primeira diretoria os senhores doutor Manoel Seraphim Gomes de Freitas, Alexandre Gastaud, Alberto Sanz Navas, Alfredo Augusto de Carvalho Bastos e Hormino Francisco Lopes. A diretoria em 1922 estava constituída pelos Srs. José Ernesto Augusto Lang, Alípio Baptista de Oliveira, doutor Edison Barcellos Fagundes, Eduardo Francisco dos Santos e Catullo de Mattos.

       Em 6 de março de 1923, estas Lojas passaram a denominar-se Loja Fraternidade, nome que mantém até os dias de hoje. Seu primeiro Venerável Mestre foi Rocco Felipe.

    Em 16 de novembro de 1927, sob o primeiro malhete do Venerável Mestre Camillo Gomes Pires, a Assembleia Geral da Loja Capitular Fraternidade vota a separação do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, ficando a descoberto. Na assembleia Geral da Loja, o Irmão Juvencio Lemos, dizendo que apoiava a separação mas, como tinha jurado obediência, ao Grande Oriente do Rio Grande do Sul sob a Bíblia, solicita e entrega seu Quite-placet, o que aplaudido de pé.

        Em 8 de janeiro de 1928, 23 dias após a desvinculação do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, as Lojas "Rocha Negra" de São Gabriel, "Caridade Santannense" de Santana do Livramento, a "Fraternidade" de Pelotas e a "Amizade" de Bagé criaram, em sessão memorável na cidade de Bagé, a Grande Loja Simbólyca do do Rio Grande do Sul.

        A primeira sede da Grande Loja é localizada no prédio da Fraternidade, sendo seu primeiro Grão Mestre o doutor Manuel Seraphim Gomes de Freitas. Sua sede permaneceu em Pelotas até 30 de junho de 1936, quando se transfere para a capital do estado, Porto Alegre.

        Em 1943 reuniram-se duas Potências, a Grande Loja do Rio Grande do Sul e o Grande Oriente do Rio Grande do Sul com objetivo de unificar a maçonaria do Estado, sonho acelentado durante muitos anos. No relatório final do Congresso foi solicitado que fosse escrito "em tudo o que não afete o simbolismo" e foi colocado "que não afetam o simbolismo". A Loja Rocha Negra Nº 1 não assinou o acordo, bem como a Loja Sigilo Nº 14 e o Irmão Segundo Vigilante, Tito Fagundes de Sá, representando a Loja Luz e Ordem II Nº 16 também não assinou. O Grão-Mestre da Grande Loja o Irmão João Pinto Martins de Oliveira decretou a Extinção da Potência pedindo demissão do cargo. No dia seguinte 17 de novembro de 1943 o Grão-Mestre Adjunto, o Irmão Egydio Erve defendeu a tese regulamentar de que, havendo três Lojas ativas, sem assinar a intenção de “unificar” as duas Potências, uma Grande Loja não pode ser extinta, assumindo o Grão Mestrado de acordo com o Artigo 63 da Constituição da Grande Loja vigente naquele momento.

        A primeira sede da Grande Loja é localizada no prédio da Fraternidade, sendo seu primeiro Grão Mestre o doutor Manuel Seraphim Gomes de Freitas. Sua sede permaneceu em Pelotas até 30 de junho de 1936, quando se transfere para a capital do estado, Porto Alegre.

        Desde então, a Loja Fraternidade dedica-se ao engrandecimento do cidadão de Pelotas, serve de berço a outras Lojas, incentiva a doutrina Maçônica, cria irmãos dispostos a lutar por seu semelhante, que no anonimato servem nossa comunidade.

        Em 1995, recebe o título de Loja "Centenária", reconhecido pela Grande Loja, com a manifestação do Sereníssimo Grão Mestre Pedro Manoel Ramos, da Muito Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul, passando a denominar-se: "Fundadora, Centenária, Benemérita, Augusta e Respeitável Loja Simbólica Fraternidade Nº 3".

        Para perpetuar tal efeméride, a Loja Fraternidade mandou cunhar 200 medalhas metálicas comemorativas, possuindo dimensões de 5,7 cm de diâmetro e 3 mm de espessura, as quais foram distribuídas aos presentes, na sessão de recebimento do título em 25 de agosto de 1995.

        Em 2005 a Loja Fraternidade N&odrm; 3 supera mais um degrau ao completar 150 anos de atividade interrupta e que justifica o seu título de Sesqucentenária. Não ficou sem trabalhar regularmente seguindo rigorozamente a Constituição e o Regulamento Geral da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul.

        Esta é a descrição histórica da Loja mais antiga do município de Pelotas, sucessora histórica da primeira Loja Maçônica constituída, a "Protetora da Orphandade" de 1842. Em 3 de fevereiro de 1853 foi criada a Loja "União e Concórdia" e seus membros passaram a constituir a Loja "Honra e Humanidade" em 25 de agosto de 1855. Com a união das Lojas "Rio Branco" e "Lealdade" formam a Lojas "Unidas" que mais tarde recebe o nome de Fraternidade.

        Possa o Grande Arquiteto Do Universo proteger os irmãos e as nossas Lojas maçônicas, dando-lhes longa vida através dos anos, para que juntas cultuem Seu Nome e Sua Glória.